Postado dia 28 dezembro 2015

Escova orgânica é boa ou não




Tenho sido consultado por clientes, leitores, e até fabricantes de produtos para cabelos (químicos responsáveis) sobre a escova orgânica que tem sido difundida no mercado como uma alternativa às escovas progressivas, então vamos falar dela.



Só observo



Antes de mais nada vou fazer uma sugestão pra você conferir nosso Instagram @cabelosesonhos que tem nosso dia a dia no salão e algo mais.

Vencida essa preliminar (escrevi isso só pra lembrar do curso de Direito) passemos para a fase de instrução (continuo lembrando...)!!!

Cronologicamente as progressivas apareceram assim: primeiro foi criada aquela antiiiiga que se misturava um produto com outro produto e com formol (não vou ensinar fórmula) e aplicava-se no cabelo e escovava. Tinha que ficar 3 dias sem lavar e sem prender para não marcar.

Posteriormente surgiram as escovas "inteligente" que ganharam esse nome pelo fato de serem industrializadas mas principalmente pelo fato de poder lavar o cabelo no mesmo dia sem correr o risco de a escova "não pegar" (até me recordo agora de ouvir a mulherada dizer "que baphoooo"). Mas ainda assim essas continham formol normalmente em suas fórmulas.

Daí vieram as "revolucionarias" escovas sem formol, sem cheiro, sem fumaça... e sem o minimo de cuidado com o cabelo da pessoa, que é o caso das escovas de ácidos, como o glioxílico.

Não vou adentrar no conceito do ácido glioxílico e desse tipo de escova porque temos matérias aqui que já foram lidas por quase 1 milhão de pessoas e que se você quiser pode conferir nesse link abaixo:




Após eu bater por 2 anos sozinho, solitário, desprezado (ok, parei com o drama), falando das escovas de ácidos e seus efeitos, veio uma matéria no Fantástico, daquela emissora de TV lá, falando o que eu já vinha falando todo esse tempo. Daí o que apareceu de gente comentando coisas do tipo "Marlon bem que você sempre falou, e claro, sempre acreditei em você" não está no gibi!

Mas fato fortuito ou força maior começou um burburinho a meses atrás sobre as "escovas orgânicas".

Promessas: é uma escova sen-sa-ci-o-nal que irá dar brilho nos seus cabelos, irá fortalece-los, irá faze-los crescer, irá reparar estragos passados, você se sentirá mais jovem, mais bela, mais rica (ok, exagerei um pouco) mas sempre ressaltando que esta era uma escova ECOLÓGICA e NATURAL.

Pára tudo!!! Escova natural? Ahn? Ecológica? Oi???

Aí a questão é só de raciocinar. Você acha que existe árvore de escova? Ou você acredita que a natureza produz escova progressiva? Daí alguns me questionaram dizendo o seguinte: Mas Marlon, não seria porque ela utiliza o não sei o quê da maçã, ou porque ela é de óleo disso ou daquilo, ou de açaí e tal?

Não!

Fui verificar que, primeiramente, se a escova reduz o volume, alisa, então não tem nada de natural, e sim de quimical (entendeu né?). Indo mais a fundo pesquisando componentes cheguei numa "descoberta" óbvia para quem raciocina um pouco para o lado da química, vejamos.

Se eu fizer uma escova adicionando sal, ou seja, cloreto de sódio, NaCl, posso chamar essa progressiva de salina? Sim, posso. Se eu fizer uma escova progressiva e encher a mesma de queratina posso chama-la de escova proteica? Sim, posso.

Então porque não poderia chamar uma escova que usa um ÁCIDO ORGÂNICO de escova orgânica? Sendo o ácido glioxílico um ácido orgânico eu estaria mentindo, ou, as empresas fabricantes desse tipo de escova, estariam mentindo se chamassem de orgânicas suas escovas com ácido glioxílico? Não!

Veja essa matéria onde eu falei sobre a proibição da ANVISA em relação ao acido glioxílico usado em escovas para alisar os cabelos?



Então a conclusão mais honesta é que escovas orgânicas, que alisam, nada mais são que escovas que usam algum tipo de ácido orgânico em sua formula a fim de alisar os cabelos e/ou reduzir o volume dos mesmos. Daí os efeitos são os mesmos citados em matérias anteriores aqui no blog falando sobre os ácidos.

Resolvi fazer essa matérias porque uma Química, responsável por uma marca de cosméticos, me procurou para saber sobre a tal escova orgânica, pois ela havia feito e o cabelo tinha reduzido o volume e "dado uma mudada" na estrutura e ela estava com receio do que aconteceria.

Veja caros leitores que a questão é mais de nomenclatura do que de princípios ativos. É mais gostoso ouvir escova orgânica do que escova progressiva, soa mais natural. Sempre digo no salão que mulher é muito fácil de ser enganada, e certa vez uma ainda me disse na cadeira: "Marlon, a gente pede para ser enganada né?!".

Tire suas próprias conclusões.

Sei que alguns irão comentar que eu falo mal mas não indico alternativa.

E já adianto que não irá adiantar falar isso pois eu também passo por situações onde tenho que ver as avaliações das pessoas, e sinceramente, não me preocupo com o que falam de bom, porque isso é o mais fácil e objetivo a fazer, mas dou mais atenção às criticas pois as pessoas tendem a não se expor falando da parte ruim, e as que fazem o fazem justamente para prevenir outras.

Fica aqui essa dica.



Sobre o autor:

Marlon Bruno é cabeleireiro a mais de 12 anos e atua no bairro Belvedere em Belo Horizonte/MG, também em salões parceiros pelo Brasil esporadicamente. Ex-professor de cabeleireiro, é Especialista Master Redken e educador pela marca. Presta consultoria para empresas e profissionais. Faz do blog Cabelos E Sonhos sua escola virtual onde compartilha o que sabe.

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